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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

The Slow Show



Eles são de Manchester e, ao ouvir as primeiras músicas, lembra um pouco The National, Tindersticks, Nick Cave... pelo menos eu lembrei (rs). Mas, essa primeira impressão rapidamente desaparece diante da belezura contida, não apenas na requintada riqueza dos detalhes melódicos das canções, como também na poesia (quase sempre tensa!) das suas letras.

Eles lançaram seu primeiro álbum (White Water), em 2015, com uma postura de gente grande, fazendo um som refinado e de qualidade. E tem a voz grave (barítona? rs) do Rob Goodwin: carismático, envolvente, além de ser o responsável pelos arranjos minuciosos, onde cada instrumento soa, ao mesmo tempo, profundo e delicado. E tem os “complementos”: piano, violino, trombone (por vezes até coral), simulando uma pequena orquestra, reforçando o sobretom quase sempre melancólico do conjunto básico de guitarra, baixo e bateria, ou seja, uma trilha perfeita para o vocal aveludado do rapaz.

Agora, lançaram seu segundo álbum: Dream Darling. E eu me pergunto: como foi possível eu só ter descoberto essa maravilha semana passada?!


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

The Gloaming



Banda irlandesa formada em 2011, The Gloaming é o resultado da união de 5 músicos com formação erudita e cuja principal característica é a releitura da tradição folk/céltica, porém com uma estruturação musical absolutamente sofisticada. Dentre os temas musicais explorados pela banda, dois me são particularmente caros: a linguagem (sou fascinado pela sonoridade das palavras em línguas que desconheço!) e a temporalidade das coisas, do mundo, do homem. Aliás, onde melhor podemos ver o efeito do tempo, a não ser na linguagem?

E por falar em tempo (rs), tenho cá pra mim que, mais poderoso que cigarro, álcool e drogas, esse nosso “amiguinho” é de lascar! É uma verdadeira poção de veneno, que a natureza nos põe nos lábios e que possui uma essência que supera todas as coisas. Por vezes, ele abre nossos sentidos, adicionando poder e nos levando a sonhos exuberantes. Então o chamamos de esperança, felicidade, amor. Outras vezes, em geral depois de nos saciarmos em demasia, perdemos estatura, força, beleza, e assim terminamos em fantasia e delírio irreais. Haja sabedoria para distinguir um estado do outro!



Voltando à banda... acaba de sair seu segundo álbum, simplesmente chamado de 2. É dele essa canção que escolhi pra ilustrar o post. Editei o vídeo com imagens da Irlanda (em timelapse, naturalmente, rs), embaladas por essa jóia belíssima: Casadh an tSúgáin (A Torção da Corda). Escrita em gaélico medieval, é um belo exemplo do estilo de interpretação característico da banda. O refrão...

“Você vai ser meu
Tesouro do meu coração
Você vai ser meu
Antes de qualquer coisa do mundo
Você vai ser meu
E cada polegada do meu coração
Chora quando você não está...”

Tem como não amar?!


sábado, 22 de agosto de 2015

Noah Gundersen



Para quem conhece o meu gosto musical sabe que eu tenho uma, digamos, predileção por cantores/compositores que, apesar de jovens, apresentam uma densidade em suas composições nada usual, ou compatível com sua idade cronológica. Muito provavelmente isso se deve à minha própria história; um sujeito que, aos 17 anos, já cursava filosofia e tinha uma cabeça pra lá de “encucada” (rs). De fato, nunca fui um jovem que viveu sem grandes preocupações, apenas curtindo a vida. E nem sei se isso é algo bom. Pode ser que não. Por vezes penso que, no fundo, não tive a leveza característica dessa fase da vida. Enfim, não posso lamentar... fui assim, sou assim e ponto.

Isso me veio à mente ao ouvir hoje o segundo álbum (Carry The Ghost) de um cantor e compositor indie/folk de Seattle: Noah Gundersen. O cara, com 25 aninhos, que, com seu primeiro álbum (Ledges, de 2014) já anunciava a que veio, um ano depois apresenta um amadurecimento como artista e homem simplesmente fantástico! Para quem, como eu, já achava impressionante todas as canções de Ledges, chega a ser surpreendente ver essa beleza de cantor, como que olhando pra dentro de si mesmo, articular suas novas letras, puramente existenciais, envolvidas em melodias que cativam logo aos primeiros acordes.

Em uma entrevista Noah assim define seu atual trabalho: “Este álbum nasceu de um desejo de me conhecer melhor, até para saber como eu deveria viver. E, nesse processo, percebi que não existe esse tal 'deveria ser’. O conceito que eu quis imprimir em Carry The Ghost é que somos feitos por nossas experiências e que devemos aceitá-las, ao invés de tentar combatê-las. Os últimos anos têm sido um processo de aceitar as coisas como elas são e para não enxergar a vida tão preto e branco, ou certo e errado; para aceitar que não somos feitos para ser de uma determinada maneira, mas que estamos envolvidos em uma processo, mutável a cada momento.”

Vinte e cinco aninhos?! A não ser que meus amiguinhos da Seara tenham razão e, quando “desembarcamos” por aqui, já trazemos uma grande bagagem de outras vidas! (rs)

Dois vídeos (esse merece): uma de suas primeiras músicas, Cigarettes, e seu primeiro sucesso, Ledges.  Além de tudo, vídeos com uma edição primorosa!





segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Night Beds



Acaba de sair o segundo álbum (IvyWild) da banda Night Beds, o projeto musical indie/pop/folk do jovem (26 aninhos) Winston Yellen. Depois do belíssimo álbum de estreia (Country Sleep), lançado em 2013, nesse novo trabalho Yellen consegue aprimorar a beleza pungente de suas canções. O fio que conduz todas as músicas continua sendo sua voz, que transpira pelas letras os sentimentos da dor e da alegria, com a maturidade que parece não condizer com a sua juventude. Mas, diferente dos muitos grandes cantores e autores que resolveram trilhar por esses difíceis caminhos, Yellen parece ter o domínio daquilo que sente. Espero que eu esteja certo!

Uma amostra da vibe dessa belezura de trabalho...


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Velho Com Jeito de Novo... Novo Com Jeito de Chato

São dois novos álbuns, de duas bandas com estilos bem particulares. Vou tentar uma análise (lembrando que não sou crítico musical, rs) para “explicar” porque gostei de um e não do outro.



. O sexto álbum do Iron and Wine (Sing Into My Mouth) que, dois anos após o belo Ghost On Ghost, pode ser resumido em uma palavra: DISPENSÁVEL! Tem coisas que não consigo entender... uma delas é quando um artista não percebe que seu novo trabalho é um repeteco (no caso em questão é, além disso, cansativo e arrastado ao extremo!) de tudo o que ele já fez anteriormente, sem ao menos agregar novas leituras. E mesmo que todas as músicas sejam inéditas, nada chama a atenção, nada se destaca, nada empolga, dentre as doze músicas do álbum. Pra quem confia no meu gosto (rs), não perca seu tempo! Baixei e já deletei.




. Longitude, do The Frames (Glen Hansard)... aqui a história é oposta. Depois de quase cinco anos sem lançar novos álbuns, podemos dizer que essa banda irlandesa (que está comemorando seu 25º aniversário) nos apresenta apenas releituras de seus grandes sucessos, mas que soam como músicas novas. É uma coleção de hits (além da única inédita Not But I, belíssima!) que eu consegui ouvir e sentir me surpreendendo. Dá pra entender, ou acabei me enrolando na explicação?

Uma de minhas preferidas do The Frames, na versão folk/eletrônica/tribal (rs), que confere muito mais força à belíssima letra, especialmente ao seu refrão-chiclete...


terça-feira, 14 de julho de 2015

Gungor



“Gungor is a genre blurring, musical collective based in Los Angeles, CA. Led by Michael and Lisa Gungor, the collective crafts music intended to defy categorization and open the human heart.”

Apesar de ser um tiquinho indie/cristão (rs) é muito bom!







segunda-feira, 13 de julho de 2015

Green River Ordinance



Voltando à nossa programação normal (rs), hoje vamos com essa banda folk (com pitadas de rock alternativo) texana. Apesar de já atuarem desde 2003, foi em 2009 que conseguiram lançar seu primeiro álbum.

Sonoridade bem simples, letras redondinhas... o nome da banda, pra variar, um pouco estranho. Pesquisei, entendi do que se trata (uma lei municipal - bem controversa, por sinal - da cidade de Green River, que proíbe a venda porta-a-porta sem o expresso consentimento dos moradores), só não “captei”  a motivação dos carinhas ao escolherem esse nome para a banda.

Enfim, eles fazem o tipo de música gostosa de ouvir, sem grandes encucações...


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Folly And The Hunter



Estava escrevendo um post sobre a banda The Dear Hunter, uma de minhas queridinhas... sonoridade complicadíssima, elaboradíssima e outros íssimas mais, quando resolvi entrar no meu fórum de música indie. Fazia um tempinho que não entrava; já me apresentaram ótimas bandas por lá, principalmente o meu amiguinho (o Jamesvaldo... que nome! rs), que estava on line. Tão simpático, tão amável, é uma delícia papear com ele!

Depois de um tempinho, ele me diz que descobriu uma banda que é “a minha cara”. Não duvidei muito, afinal suas últimas indicações foram “na mosca”. Como nunca havia perguntado, indaguei como ele sabia que eu iria gostar tanto assim. Ele lascou um “é que você tem o mesmo gosto que eu; aliás, pelos nossos papos, pensamos de forma muito semelhante e temos várias coisas em comum... até parece que nos conhecemos há muito tempo...”. Gente, tem como não amar?! Melhor deixar só no âmbito musical isso. O cara é casado, não dá pra arriscar nada de mais, digamos, contundente! Deixo essas coisas para um certo amigo, que vem se especializando em paquerar homem casado. (rsrsrs)

Folly And The Hunter (que coisa! é Hunter também, mas praticamente o oposto em termos musicais!), banda canadense indie/folk, formada em 2011. Sabe aquele folk delicioso? Suave, ritmo que contagia, delicado, melodias simples, ao mesmo tempo sofisticadas, com texturas musicais bem definidas, além de vocais belíssimos! É um encanto! Já lançaram 3 álbuns (o último, Awake, mês passado), já devidamente “pescados” e sendo trilha sonora por aqui desde ontem. A dificuldade está sendo encontrar alguma música que eu não tenha gostado!

É, Jamesvaldo acertou novamente! Dois exemplos: Awake, do último álbum e As I Waited/Traffic, do primeiro.




segunda-feira, 25 de maio de 2015

Moddi



Pål Moddi Knutsen é um cantor, músico e compositor norueguês, cujo projeto musical faz um indie/folk dos mais fodásticos que conheço. Seria como um Nick Drake, porém muito mais sofisticado em matéria melódica e em qualidade de letra. Não é o tipo de música muito fácil de ouvir, menos ainda de arrastar multidões de fãs, mas que faz o deleite de quem gosta de coisas mais complexas, feito eu... (rs)

Diagnosticado com dislexia quando criança, apesar disso (ou talvez por isso) manifestou seus dons musicais logo cedo. Aos 9 anos já tocava acordeão e estudava música erudita. Aos 15 anos já participava de concertos com composições próprias. Em 2008, com 21 anos, lançou seu primeiro EP. Dois anos depois lançou seu primeiro álbum (o maravilhoso Floriography), sucesso de crítica em toda a Europa. Sua marca registrada, além da voz estranha (ele é todo estranho, na verdade) e rouca, consiste na riqueza melódica e na absurda qualidade das letras... o cara escreve bem demais!  

Nas horas vagas, o rapaz, um encrenqueiro de marca maior (rs), vive criando casos, como quando recusou um prêmio concedido pela Statoil, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, pois, segundo ele, a empresa não cumpria as metas de controle de emissão de poluentes. Ou quando, em 2014, cancelou shows com ingressos esgotados, em Israel, aderindo ao famoso boicote acadêmico e cultural imposto por artistas famosos, em prol da causa palestina. Fora a própria vida conturbada... sei não, acho que... (rs)

Pra quem quiser ter uma ideia da vibe do rapaz, uma canção daquelas!


segunda-feira, 11 de maio de 2015

The Barr Brothers Com Café



Banda indie/folk canadense... vibe melancolicamente suave, ótima para uma segundona cinza, garoenta e que é toda convidativa para um bom café e conversas soltas com amigos. Na falta do segundo quesito, vamos de café na padoca da esquina apenas.


sexta-feira, 13 de março de 2015

Seryn



Seryn é uma banda indie/folk, formada em 2010, originária de Denton (Texas) e atualmente fixada em Nashvile. Descobri ontem, meio por acaso e me encantei com suas texturas musicais – uma mistura de guitarras, sanfona, baixo, violino, banjo e vários instrumentos de percussão. Além dos belíssimos arranjos vocais e das letras, que, pra mim, soam como trilhas sonoras de histórias de amor, dramas, tragédias, mas sempre com um frescor que parece vir da natureza. Vale a pena...


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Semana Musical

E não é que o povo indie resolveu lançar vários novos álbuns essa semana! Que eu tenha ouvido, foram dez! Três dignos de nota, de tão bons que estão...



Ghost Modern – Geographer

Terceiro álbum dessa banda indie/rock de São Francisco, Califórnia. É meio que uma revisão (nada a ver com remixagem, rs) do seu primeiro álbum, Innocent Ghosts, lançado em 2008. O lançamento está previsto para 24 de março, mas, sabe como é... rs. As músicas desse álbum estão mais leves, puxando mais pro eletrônico e o dream. Sonoridade mais elaborada, muito bom!






We Only Part To Meet Again - Mister And  Mississippi

Segundo álbum dessa banda holandesa, que faz um indie/folk com toques de música experimental e um vocal feminino maravilhoso da Maxime Barlag. Sua voz é um contraponto, que suaviza lindamente as canções, quase sempre “recheadas” de arranjos orquestrais maravilhosos, tornando-as um folk sonhador... hoje estou inspirado! (rs)






Coming Up For Air – Kodaline

E, como não poderia faltar, temos um pouco de Irlanda... Kodaline e seu indie/rock delicioso. Esse é o segundo álbum desses filhotes de Coldplay (rs)... brincadeirinha, eles são ótimos! Talvez o correto seja dizer que eles são uma mistura de Keane, com uma percussão tão bonita como a de Mumford and Sons, acho que é essa a vibe. Vale a pena ouvir!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Adrian Crowley



Hoje, voltamos pra Irlanda... dúvida aqui: será que em outras “encadernações” eu vivi por lá? Ou será que foi na terrinha santa? Como acontece várias vezes (pelo menos é isso que me garantem os amiguinhos da Seara, rs), devo ter “passado” pelos dois lugares. Bem provável.

Adrian Crowley nasceu em Malta (nem sabia que pessoas nasciam por lá), mas foi criado em Galway, próximo a Dublin. Estudou arquitetura, fotografia, pintura e só entrou no mundo da música com 25 anos de idade. Ele diz que suas maiores influências musicais foram Nick Drake e Tim Buckley... beleza de dupla! Estão ambos no topo da minha listinha de amados.

Voz grave, um tiquinho soturna, mas com uma suavidade maravilhosa, suas músicas são uma mistura de indie e folk, encimadas (rs) por letras profundas e líricas. Vale a pena dar uma pesquisada!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Outro Príncipe



Saindo do frescor bucólico do Sean, envolvido pela magia do fluxo da natureza, vamos agora para o folk céltico e o furor gaélico de Damien Dempsey. Uma realidade bem diferente... fábricas, trens, casas nos subúrbios de Dublin. E pessoas: operários, jovens, estudantes, desempregados, desiludidos, lutadores. Para Damien as pessoas são a música; sua voz se confunde com a voz da Irlanda! E ele canta (como quem vive e desafia) sobre injustiça, saudade e perda, dor e esperança, desespero e aventura, emoção e infância... amigos que se foram, amores...

Seus primeiros álbuns eram marcados pela raiva, com músicas de protesto, desafiadoras. Com o tempo (e amadurecimento), ocorreu uma reorientação temática. Ele passou a cantar mais sobre o que tem guardado no fundo da alma, suas experiências de vida e, a meu ver, encontrou definitivamente sua melhor veia. Destaco duas músicas dessa “virada”: Chris and Stevie, um maravilhoso poema sobre a relação de dois amigos da adolescência (ficamos na dúvida até que ponto uma homo relação) e seu trágico fim... e Canadian Geese (vídeo abaixo, rs), uma janela aberta na sua infância, seus devaneios, sua imaginação a observar essas aves migratórias.  

E tem mais: apesar da origem humilde, grande parte de suas letras trazem referências de grandes escritores! Vemos citações de Orwell, Kavanagh, Joyce, Wilde, tudo aliado ao belíssimo lirismo contido em suas canções. Fora a sua presença de palco, seu magnetismo, sua força (ele foi lutador de boxe na juventude) e sua doçura. Precisa de mais para ser um príncipe? Ah, e tem o sotaque... adoro! (rs) 

Voz e violão e tenho a impressão que existe uma banda inteira no palco. E não tem?


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Joshua Radin



Acaba de sair o novo álbum de Joshua Radin (14/06/1974), cantor e compositor americano indie/folk. Onward and Sideways é o 6º álbum de um dos maiores “emplacadores” de músicas de seriados de TV. Scrubs, Grey's Anatomy, Brothers and Sisters, Cougar Town, One Tree Hill são alguns exemplos.

Sua música tem aquele estilo melódico tão característico do suave e cativante folk de nomes como Simon & Garfunkel, Elliott Smith e Iron & Wine. Gostoso de ouvir, sem dramas, sem “encucações”, um lirismo equilibrado eu diria... Pra completar o seu lado “bom moço” (rs) ele também trabalha com projetos de educação musical para crianças. Lindinho, né!


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Father John Misty



Joshua Tillman (Maryland, USA - 03/05/1981), cantor, compositor, guitarrista, baterista... educado em rígidos padrões evangélicos neopentencostais, com toda a carga opressiva que bem conhecemos. Pelo que li em uma entrevista que ele concedeu em 2012, quando do lançamento de Fear Fun (daqui a pouco comento sobre, rs), o clima em família era, dizendo o mínimo, absurdo e grotesco, a ponto de ser “autorizado” a ouvir, pela primeira vez na vida, música “secular” (eu nem sabia que existia esse conceito ainda!) aos 17 anos de idade! Adivinhem o que caiu nos ouvidos do lindinho? Bob Dylan! Isso porque os pais, não se sabe como, o consideravam um cantor cristão... tolinhos, né! rs A partir dai, desandou...

Aos 21 anos saiu de casa e mudou-se pra Seattle. E teve início o seu contato com o universo da música folk. Fez parte das bandas Saxon Shore e Fleet Foxes (que eu adoro!) e, finalmente em 2012, montou sua própria banda: Father John Misty. Seu álbum de estreia (Fear Fun) foi um choque! Saindo de um período de depressão (com tudo o que se tem direito, sexo, drogas...), suas músicas se abrem para a transgressão e acidez, sem perder o humor. Segundo a crítica, um dos grandes trabalhos de 2012, no que concordo plenamente.


Agora, 3 anos depois, acaba de sair seu novo álbum: I Love You Honeybear. Sem ser algum tipo de ruptura com o trabalho anterior, muito pelo contrário, é um aprofundamento de sua temática. Em minha opinião ele conseguiu superar (talvez pela maturidade) toda a sarcástica beleza que já existia em Fear Fun. A novidade é que, dessa vez, algumas músicas surgem carregadas de um lirismo (mais típico do folk), quase inexistente anteriormente.

Enfim, são dois álbuns imperdíveis para quem gosta de ouvir (e ver, que o cara, além de lindo, tem um carisma que, vou te contar! rs) músicas que têm o “que dizer”... a complexidade dos sentimentos, nossos aprisionamentos, nossa libertação, a banalidade da vida, por aí...

Esse merece dois vídeos... de Fear Fun, Only Son of the Ladiesman…





E essa delícia agora, Bored in the USA, em alusão a Born in the USA, do Bruce Springsteen...


domingo, 7 de dezembro de 2014

JBM



Fim de semana e lá vou eu conversar nos fóruns. E descobrir coisas boas. Ao menos isso, nessa vidinha de bosta que teimo viver. Na verdade, não sou eu quem teima... mas, isso é conversa pra outro tipo de post. Falando em descobrir coisas boas, ontem me apareceu essa: Jesse Marchant, cantor, músico e compositor canadense. Comecei minha pesquisa básica pelo seu 3º álbum, que acaba de ser lançado. E que, ao contrário dos outros (Not Even in July, de 2010 e Stray Ashes, de 2012) vem assinado com seu nome e não como JBM, nome artístico com que ele iniciou sua carreira. Hum... interessante. Primeira música do álbum: Words Underlined... e eu já estava totalmente conquistado pelo moço! (rs)

Como descrever o seu estilo, as suas canções? Jesse é, definitivamente, noturno. Uma voz aparentemente sufocada, mas com uma textura apaixonante. O instrumental tende ao discreto, embora com toques perfeccionistas... e que não deixa que se perca a pureza e ingenuidade (sim, pode existir ingenuidade, mesmo no sombrio da noite) que também são marcas da sua voz. E tem as letras... a impressão que me passou foi a de ele deixa escapar, aos poucos, pedaços do seu mundo interior. Quedas, ausências, recomeços... é, acho que vou ter que usar novamente o adjetivo deslumbrante!

Em uma recente entrevista ele foi questionado sobre o abandono do seu “apelido musical”. Ao que ele respondeu algo como querer assumir de vez a responsabilidade pelos seus desejos, a clareza dos seus sentimentos... sei não. Mas, como não sou de levantar falso testemunho (rs), vou ficar apenas no âmbito da música em si. Realmente, em comparação com os álbuns anteriores (que são muito bons, diga-se de passagem), o seu trabalho atual reflete um amadurecimento, com sonoridades mais vivas, mais enraizamento! Acho que é isso.

Óbvio que escolhi Words Underlined para ilustrar o post. É uma música contida... dor dilacerante, angustia, tristeza, tudo contido, lindamente contido. Eu sou tão assim também...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Quando o Filhote Tem Pedigree



What a Terrible World, What a Beautiful World é o ultimo álbum do The Decemberists, banda indie/folk do Oregon (USA), liderada pelo cantor, músico e compositor Colin Meloy. Ao que consta, esse álbum será lançado em janeiro de 2015. Er... já acabou 2014? (rs)

Eu diria que não é um daqueles trabalhos exuberantes, marca registrada da banda. Talvez fosse melhor dizer que algumas músicas são maravilhosas, enquanto outras apenas boas. As letras de Meloy continuam lindas, sofisticadas, vocabulário difícil (ao menos pra mim) e a instrumentação, como sempre, muito bem cuidada. O diferencial em relação ao álbum anterior (The King is Dead, de 2011) é que eles estão menos folk e mais pop, mais, ou menos isso... (rs)

Ah, o título do post: pra quem acha que Nick Mulvey é filhote de Nick Drake (será pelo fato de ser Nick?), vamos exemplificar com essa música lindíssima, Lake Song. Especial atenção ao “diálogo” entre piano e violão e à divisão melódica, marcas legítimas da descendência “drakiana”, ostentadas por Nick... ops, Colin... (kkkkk)


sábado, 22 de novembro de 2014

Beta Radio



Para tudo! Hoje, meio que do nada, fiz a descoberta da década! (rs) Estava conversando (melhor seria dizer tentando conversar, que meu inglês é strikingly poor... rs) no meu fórum de música indie/folk, quando um gringo (pelas minhas observações, ele garantia que seria do meu gosto) me indicou essa banda: Beta Radio (de Wilmington, Carolina do Norte). E lá fui pesquisar pra ver se o carinha conhecia meu estilo musical...

Eu já devo ter usado alguns adjetivos pra classificar algumas descobertas musicais que me agradaram muito... delicinha, lindo, ótimo e por aí. Hoje terei que inaugurar um novo: DESLUMBRANTE! Eles conseguem imprimir uma sonoridade às suas músicas que impressiona! Mistura de folk, country, pop, além de vocais belíssimos, letras que são verdadeiras poesias. Amei de paixão, simplesmente!

PS: Escolhendo as músicas para compor a minha seleção das “favoritas” e... dos 2 álbuns e 3 EP’s, apenas 2 músicas ficaram de fora. Impressionante!


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Refúgio

Feriadão, emenda, 4 dias de suplício e martírio (pelo menos 1 já passou, rs)... amanhã promete! Nessas horas eu sinto uma saudade imensa do tempo em que eu podia “pintar e bordar”, sem a necessidade de me preocupar com nada. Como dizem os meus amiguinhos do além, deve ser uma fase de expiação... só não dá pra saber se é a última da série.



Deixando de lado as lamúrias, passei a minha tarde pesquisando um pouco mais sobre All The Luck In The World, essa banda indie/folk irlandesa já comentada por mim há alguns dias. Com uma história profissional super curta (Neil Foot, o vocalista lindinho, sugeriu a formação da banda no final de 2011), o seu primeiro álbum, gravado na Bélgica e Alemanha, (olha a loucura!) já chega com as melhores críticas possíveis. Eu, particularmente, adorei todo o conceito desenvolvido pelas músicas. É uma mistura da típica melancolia irlandesa, associada a toques de música incidental, folk, além de letras belíssimas, sei lá, difícil definir. Talvez porque o mais importante seja o sentimento que eles provocaram em mim.

E como eu estava inspirado, aproveitei algumas imagens da minha última viagem por Dublin e adjacências (cof, cof, cof... rs) e editei esse vídeo, guiado apenas pelos meus sentidos. Fiz um “2 em 1”... o vídeo se inicia com Low Beams, incidental, acústico, sem voz e, na sequência, vem a maravilhosa Haven. Gostei do resultado! (rs)

PS: Gente! Essa voz do Neil... não consigo dizer o que está provocando em mim! Sabe quando se ouve uma voz mais de 30 anos depois? I’m tied to you... acho que é isso...