domingo, 29 de novembro de 2015

Chave de Bronze



A palavra é: DESPRETENSIOSO. Eu esperava bem mais, sabe (rs)... mesmo porque, ao que consta, será o último álbum deles. Enfim, pra ouvir andando por aí até que vai... e também pra encerrar o ano!

PS: Mais um ano como esse, e eu desisto...


terça-feira, 3 de novembro de 2015

Acasos e Decisões

A crença em algo, como tipificado no conceito de “destino”, se manifesta por duas situações: quando, percorrido um caminho, se chega a um ponto determinado/almejado, ou seja, como um fato “a posteriori”; ou quando, mesmo antes de percorrer o caminho, existe um forte (muito forte, obsecado) desejo de alcançar algum ponto. Lamento informar, mas, esse segundo caso, é apenas uma postura otimista (muito otimista) frente à vida e não a garantia exata de poder alcançar o objetivo. Em outras palavras: na vida o “a priori” constitui-se simplesmente de categorias/formas “vazias” e que apenas ganham sentido quando completadas com os conteúdos das experiências do mundo sensível, ou (em filosofes, rs) da realidade fenomênica, a única acessível a nós, humanos. Tentarei traduzir.

Se houvesse, de fato, algo como destino, o universo seria uma enorme (imensa) fraude! Não passaríamos de joguetes, fantoches (apenas para ficarmos na esfera dos humanos), nas mãos de algum ser supremo, facilmente diagnosticável como esquizofrênico. Tudo, desde o mais ínfimo anseio de nossa parte, não teria sentido algum, dado que os fins estariam previamente traçados. E tudo perderia sentido, ao contrário dos que creem em destino. Afinal, por qual motivo valeria a pena algum tipo de esforço a fim de mudar qualquer coisa, se tudo “já está escrito”? Penso que, mesmo algumas religiões (ao menos as que se pretendem mais “científicas”, rs) já abdicaram desse dogma. É aqui que entra outro conceito (mais palatável): o do livre-arbítrio.

Então, podemos optar. Entre os caminhos a, b, c... existem opções. Obviamente que essas religiões não se deram conta que, adotado o princípio do livre-arbítrio, torna-se muito mais complicado impor “leis morais”. Afinal, não teria o suicida usado, pura e simplesmente, a sua prerrogativa de escolher? Ou a mulher que aborta? Não me estenderei nos exemplos, que poderiam ser numerosos.

Um pequeno “toque filosófico”: no pensamento kantiano, o livre-arbítrio é a única pressuposição que pode ser determinada pela razão pura, diferentemente dos outros “arbítrios”, que sempre são determináveis, ou por inclinação, ou por estímulo, ou por crenças (ficções?), que Kant denomina “arbítrio bruto”. Ele também associa o conceito de livre-arbítrio ao que ele denomina como “vontade pura”, ou seja, livre das necessidades e inclinações sensíveis a que está submetido o homem. Se Deus existe e é perfeito, certamente nos concedeu livre-arbítrio. E nunca destino!

Já escrevi por aqui algo, mais, ou menos assim: eu acredito que, em nossa vida (uma extensão temporal entre dois - ou mais... quem saberá? - pontos) sempre existe uma nuvem de possibilidades (mais, ou menos casuais) e que, por nossas ações (pensadas, ou impulsivas, não importa, mas, sempre decisivas), “criamos” um caminho. E que nem é tão demarcado assim. Talvez, também, uma nuvem de caminhos possíveis. Ora estamos em um, ora em outro, por vezes paralelos, outras vezes sinuosos, contraditórios...

PS: Era pra ser um comentário ao post do meu amigo Le... Latinha (por enquanto ele ainda não “se permitiu”, rs) e que achei um tanto extenso. Sou muito prolixo?




quarta-feira, 23 de setembro de 2015

The Last Prom On Earth

Dentre as minhas esquisitices em matéria de gosto musical, existe uma que não consigo entender, racionalmente falando: o gostar muito de certas músicas, mesmo sem gostar da banda/músico. Essa, da banda Gayngs (um grupo de Minneapolis, com mais de 20 pessoas, que fazem um indie pra lá de sem graça) é um bom exemplo. Desde que ouvi pela primeira vez (isso há uns 5 anos) The Last Prom On Earth entrou para o rol de minhas prediletas! Ontem, bem tarde da noite, encontrei esse vídeo.

Quando eu era jovem (isso há anos e anos e anos, rs) eu gostava demais de bailes, especialmente os de formatura. Já sei, meio cafona, além de não “combinar” com o meu jeitinho filosófico de ser, mas, era isso. Clube Pinheiros, Círculo Militar, perdi a conta. Ontem me lembrei de um (era a formatura de uma amiga, Ana Júlia, médica – parece coisa do destino, né! – meio que tínhamos uma paquerinha) e, pela primeira e única vez eu convidei, adivinhem? Pois é, já fazia quase 1 ano que eu conhecia o Fernando. Não tínhamos nada ainda (nem uma tranzinha sequer! dureza...) mas, muito provavelmente, havia algo além de uma amizade. E que não era somente o tesão que fez com que eu me aproximasse dele.

Eu não sou uma pessoa detalhista, que retém na memória coisas e fatos supérfluos. No caso desse baile... basta fechar os olhos e as lembranças são as mais nítidas possíveis! Passamos o tempo todo conversando, regados a Cuba Libre (era o tempo!). Ele estava com uma camisa gola de padre (rs) branca, calça cinza grafite (lindo, esguio), uma bota de bico quadrado que eu adorava. Lancaster... aqueles olhos azuis, céus! Teve uma hora, estávamos na área externa, eu falei que, se ele topasse, poderíamos dançar. Ele corou! Coisa mais linda! Tocou na minha mão... hoje entendo que era impossível! O amor, quando está nascendo, transforma tudo e qualquer coisa em beleza absoluta. Mesmo e, talvez, principalmente as simplicidades...

Não teve dança, óbvio. Nem nunca mais. Chance certa, tempo errado, fazer o que! E tudo isso me veio ao ouvir essa música, pela enésima vez. Deve ser pela vibe final dos anos 70 dela...


domingo, 20 de setembro de 2015

Tò Sumpósion #1



Sobre o amor, como Aristófanes expos, na casa de Agatão e na presença, entre outros, de Sócrates, Aristodemo, Fedro, Pausânias, Erixímaco e Alcibíades:

Houve um tempo em que os seres humanos eram de três tipos: homem, mulher e andrógino, vivendo em “estado duplo” (homem/homem, mulher/mulher e homem/mulher), unidos pelo abdome. Por se sentirem tão autossuficientes e cheios de si nessa completude e felicidade absoluta (o que ameaçava o “ser” da divindade), foram divididos ao meio por Zeus. Desde então, cada metade ficou condenada à falta, à incompletude e à tarefa do reencontro da parte perdida, da parte que completasse o seu ser originário. E, Aristófanes nos fala: o amor é justamente essa busca constante e incansável! Entretanto, enquanto busca (e não garantia de encontro), o que importa é a possibilidade de se pensar que um ser apenas pode existir em relação a um outro com o qual se possa estabelecer um laço, um vínculo, uma cumplicidade. A outra metade que, na sua presença e na sua ausência, consegue declarar aquilo que somos, enquanto miticamente divididos e errantes.

Em sendo assim, o amor não é um fenômeno, mas sim um anseio, uma busca do homem por uma totalidade do ser, outrora possível e, agora, momentaneamente inacessível...

“Quando acontece encontrar alguém a sua metade verdadeira, de um ou de outro sexo, ficam ambos tomados de um sentimento maravilhoso de confiança, intimidade e amor, sem que se decidam a separar-se, por assim dizer, um só momento. Essas pessoas, que passam juntas a vida, são, precisamente, as que não sabem dizer o que uma espera da outra. [...] E a razão disso é que primitivamente eram homogêneos. A saudade desse todo e o empenho de restabelecê-lo é o que denominamos amor...”

Não se fala apenas da união física que faz com que um sinta um prazer tão grande com a presença do outro e a ela aspire com tanta força, mas é, indubitavelmente, uma coisa diferente o que a alma de ambos quer... uma coisa que ela não pode exprimir e que só palpita nela como obscura intuição do que é a solução do enigma da sua vida.

“Falo tanto do homem como da mulher, para afirmar que nossa espécie só poderá ser feliz quando realizarmos plenamente a finalidade do amor e cada um de nós encontrar o seu verdadeiro amado, retornando, assim, à sua primeira natureza.”

(Deveras interessante... apesar de que existem outros pontos de vista...)


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Her Name Is Calla



Não sou muito chegado em música experimental. A maioria das bandas que produz esse tipo de música, em geral, transita entre o eletrônico e o lo-fi, numa sequência pra lá de cansativa de instrumentais e pobreza de letras. Algumas bandas, entretanto (poucas, na verdade, e um bom exemplo é o Sigur Rós), com uma sonoridade indie/post-rock, conseguem me conquistar. É o caso de Her Name Is Calla, banda inglesa de Leicester.  

Desde seu álbum de estreia (The Heritage, de 2008) já se podia sentir sua vibe: um maravilhoso jogo entre luz e sombra, delicadeza e brutalidade, instrumentais riquíssimos, letras tipo “porrada no estômago”, verdadeiros poemas emocionais e reflexivos, tudo na medida, sem excessos. Eles não têm nada de pop. Ao contrário, ouvir suas músicas requer atenção e um certo gosto sofisticado, digamos... (rs)

Dois álbuns imperdíveis: The Quiet Lamb, de 2010 e Navigator, de 2014. Fora esses, mais 3 EP’s basicamente apenas instrumentais. Recomendo demais!

Pra dar uma ideia do naipe deles: Burial, do álbum Navigator.

No one has to know, because no one will care
You trusted this with me
I let it slip away
I took both your dogs out back
And buried them with pieces of you
I don’t have choices, only anger
And this will be my final mistake


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Games Again

We're playing card games
Till some dawn
We're playing heart games
Please, please, please, please play along


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bem Que Eu Poderia

Eu poderia falar de Narcos, que me fez não desgrudar do note antes de terminar o último episódio (Zé Padilha é o cara!). Eu poderia falar que ando tão desanimado da vida, que nem mais me entusiasmo com algumas aulas que exploram novos assuntos (cansado de monólogo!). Eu poderia falar que detesto cada vez mais os fins de semana (vida besta!). Eu poderia falar que, ando tão zen, a ponto de nem me incomodar com as incríveis imbecilidades que escuto dos meus amiguinhos do astral (bem provável que tudo termine, de fato, em pó!).

Fico, por enquanto, insistentemente, com o indie/experimental do Peter Broderick. Por enquanto...


domingo, 30 de agosto de 2015

Tom Goss



E não é que já existe o gênero musical pop/gay! Tá, eu já havia visto muitos cantores assumidos, coisa e tal... mas, que cantem/componham apenas músicas de temática homo foi um pouco novidade pra mim. E, além disso, tendo sucesso! Acho que a era de aquário pegou no breu! (rs)



Um bom exemplo é esse lindinho, Tom Goss, cantor e compositor pop/romântico (além de ator!) lá das Gringas. Assim, depois de desistir do seminário católico (muito provável que, no dia em que ele resolveu que o sacerdócio não era bem sua praia, deve ter causado uma comoção entre os outros jovens noviços, né! rs), já começou sua carreira cantando em bares e cafeterias de Washington, DC. E não parou mais: já são 6 álbuns e 2 EP’s, além de ter se casado oficialmente com Michael Briggs, o ursão da foto acima.

Pra dar uma ideia da vibe do mocinho, vai esse vídeo... encantador, né!


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Qvintnçõrf...



N ivqn é zrfzb hzn pnvkvaun qr fhecerfnf. Ben ntvgnqn, ben pnyzn. Nythznf irmrf abf nffhfgn; bhgenf, abf fhecerraqr. Cbe irmrf pbz obnf fhecerfnf; bhgenf arz gnagb. Hygvznzragr graub crepbeevqb pnzvaubf bofphebf; fr orz dhr nythaf fãb znvf pynebf. Craqêapvnf nagvtnf dhr fr erfbyirz, nb ynqb qndhrynf dhr nvaqn aãb gvirenz b frh grzcb qr znghevqnqr. Abibf qvyrznf, dhr fr rasvyrvenz nb ynqb qbf iryubf. Ab sevtve qbf bibf, ngé cbffb qvmre dhr nypnaprv ivgóevnf. Zrfzb dhr gnzoéz graun raseragnqb qreebgnf. Rasvz, grz ubenf dhr aãb qá arz cen pbçne b fnpb... znf gêz ubenf, pbzb ntben, dhr b pbvgnqb svpn ngé irezryub qr gnagb pbçne! (ef)

CF: Cbfg qrqvpnqb rkpyhfvinzragr nbf nznagrf qb Mravg/Cbyne...




sábado, 22 de agosto de 2015

Noah Gundersen



Para quem conhece o meu gosto musical sabe que eu tenho uma, digamos, predileção por cantores/compositores que, apesar de jovens, apresentam uma densidade em suas composições nada usual, ou compatível com sua idade cronológica. Muito provavelmente isso se deve à minha própria história; um sujeito que, aos 17 anos, já cursava filosofia e tinha uma cabeça pra lá de “encucada” (rs). De fato, nunca fui um jovem que viveu sem grandes preocupações, apenas curtindo a vida. E nem sei se isso é algo bom. Pode ser que não. Por vezes penso que, no fundo, não tive a leveza característica dessa fase da vida. Enfim, não posso lamentar... fui assim, sou assim e ponto.

Isso me veio à mente ao ouvir hoje o segundo álbum (Carry The Ghost) de um cantor e compositor indie/folk de Seattle: Noah Gundersen. O cara, com 25 aninhos, que, com seu primeiro álbum (Ledges, de 2014) já anunciava a que veio, um ano depois apresenta um amadurecimento como artista e homem simplesmente fantástico! Para quem, como eu, já achava impressionante todas as canções de Ledges, chega a ser surpreendente ver essa beleza de cantor, como que olhando pra dentro de si mesmo, articular suas novas letras, puramente existenciais, envolvidas em melodias que cativam logo aos primeiros acordes.

Em uma entrevista Noah assim define seu atual trabalho: “Este álbum nasceu de um desejo de me conhecer melhor, até para saber como eu deveria viver. E, nesse processo, percebi que não existe esse tal 'deveria ser’. O conceito que eu quis imprimir em Carry The Ghost é que somos feitos por nossas experiências e que devemos aceitá-las, ao invés de tentar combatê-las. Os últimos anos têm sido um processo de aceitar as coisas como elas são e para não enxergar a vida tão preto e branco, ou certo e errado; para aceitar que não somos feitos para ser de uma determinada maneira, mas que estamos envolvidos em uma processo, mutável a cada momento.”

Vinte e cinco aninhos?! A não ser que meus amiguinhos da Seara tenham razão e, quando “desembarcamos” por aqui, já trazemos uma grande bagagem de outras vidas! (rs)

Dois vídeos (esse merece): uma de suas primeiras músicas, Cigarettes, e seu primeiro sucesso, Ledges.  Além de tudo, vídeos com uma edição primorosa!





segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Night Beds



Acaba de sair o segundo álbum (IvyWild) da banda Night Beds, o projeto musical indie/pop/folk do jovem (26 aninhos) Winston Yellen. Depois do belíssimo álbum de estreia (Country Sleep), lançado em 2013, nesse novo trabalho Yellen consegue aprimorar a beleza pungente de suas canções. O fio que conduz todas as músicas continua sendo sua voz, que transpira pelas letras os sentimentos da dor e da alegria, com a maturidade que parece não condizer com a sua juventude. Mas, diferente dos muitos grandes cantores e autores que resolveram trilhar por esses difíceis caminhos, Yellen parece ter o domínio daquilo que sente. Espero que eu esteja certo!

Uma amostra da vibe dessa belezura de trabalho...


sábado, 8 de agosto de 2015

Mashrou' Leila



É uma banda, formada em 2008, e que faz um indie/pop com toques jazzísticos. Suas letras transitam entre a crítica política, o humor, quase sempre sarcástico, diante das desigualdades sociais e os sentimentos humanos, especialmente a solidão, o vazio, a desesperança. Atualmente é a banda de maior sucesso em seu país, bem como ícone da música que representa. Perguntinha (rs): de onde é essa banda? Alemanha? Suécia? Dinamarca? Ledo engano! Esses rapazes são do Líbano! Quem diria!

Saídos do cenário musical underground de Beirute, o Mashrou' Leila (Programa Noturno) é a primeira banda do Oriente Médio a ser capa da revista Rolling Stone e também a primeira a empreender uma excursão de grande porte por toda a Europa. Falta mais alguma coisa? Pois, falta! (rs) Hamed Sinno, vocalista, letrista e líder da banda é gay assumido! Alguns dos grandes sucessos do Mashrou' Leila falam sobre o amor homossexual. Quem diria! Acho que, quando eu for visitar a terrinha santa, vou dar uma esticada até Beirute.

Uma amostra do som dos moçoilos. E não é que árabe também é passional!


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Idan Rafael Haviv



E quando eu penso que conheço todos os príncipes lá da terrinha, me aparece essa deliciosa surpresa! Idan Rafael Haviv - nome duplo (é o primeiro que vejo) - que, além de cantor, compositor e multi-instrumentalista, é também fotógrafo, pintor e poeta, fora ser essa fofura toda. Moisés, toma conta! (rs)

Ele foi descoberto por outro Idan, o Raichel, meu conhecido de anos, fazendo parte da primeira formação da banda que o acompanhava em seu projeto musical. Sua música, a meu ver, é um pouco diferente da que meus outros queridos judeus fazem. Eu diria que é quase um indie, pela suavidade, tanto da melodia, quanto das letras. Aliás, eita povo que escreve bem e de forma tão delicada!

Vai uma amostra dessa lindeza do mundo dos kipás! (rs)


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Amnésia Santa

É, tá comprovado: esquecer é o melhor remédio! (rs) Vale pra tudo, inclusive para esses vícios do demônio! Esse pastor é porreta... me lembra alguém, mas não atinei ainda quem seja! (rs) Adorei o modelito brucutu que ele veste! Deve ser pra deixar bem claro que estamos na idade da pedra...

PS1: E não é que até o Infeliciano foi convidado pra comprovar o milagre!

PS2: Apesar de que, pelo jeito do moço no final (atenção especial para a calça do mancebo) e pela “afinidade” demonstrada com o obreiro da igreja, é bem provável que ele tenha esquecido o passado. Já o presente... (rs)

PS3: Er... pra que mesmo eu escrevi este post? Não me lembro...


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Hamlet e o Mundo Como Palco

Dica para quem gosta de uma boa conversa, inteligente e com muito conteúdo: essa palestra da série Café Filosófico (aliás, uma série sempre com boas palestras e assuntos atuais!) com o historiador e filósofo da Unicamp, Leandro Karnal. Tema: a análise do Hamlet, de Shakespeare, muito bem contextualizada no mundo atual, com todos os seus dilemas e mazelas.

Há quem compare o estilo do Leandro com o de Foucault, um de seus (e meu, rs) filósofos prediletos. Discordo! A não ser pelo tipo físico, que se assemelha demais a Foucault, Leandro tem um estilo que, apesar de profundamente erudito, é de fácil acesso e assimilação. Ele não utiliza uma linguagem hermética, aos moldes foucaultianos. Pelo contrário, sempre com muito humor e ironia, Leandro é um mestre em discorrer, com absoluta fluência, sobre os mais diferentes assuntos, sem perder o foco principal. Vale a pena!

A íntegra da palestra está aqui. São quase 2 horas, mas que passam muito rápido. Uma amostra no vídeo abaixo.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um Pouco Sobre o Normal e a Patologização do Ismo

Acho no mínimo interessante (ou é engraçado?) essa discussão sobre o que seria mais “correto” em termos de denominação conceitual: homossexualidade, ou homossexualismo. Entendo a carga, digamos, patologizante (esse povo de branco, que adora impor conceitos), que vem associada ao sufixo “ismo”. O que, se pensarmos bem, não quer dizer muita coisa, dado que o uso, per se, desse sufixo, não é condição, a priori, de estarmos falando sempre sobre doença. Vide impressionismo, cristianismo, automobilismo, jornalismo, etc. Mas, relevemos tudo isso, mesmo porque não é sobre isso que quero falar.

Eu poderia começar pela pergunta: o que é doença? Melhor não; seria maldade demais, visto que esta questão, apesar de ser a mais fundamental para a medicina, é a mais controversa e a de menor consenso. Talvez uma pergunta (a partir de um exemplo) mais fácil: alcoolismo é doença? Acredito que a resposta, mesmo para não médicos, seja bem consensual: sim. Eu, entretanto, responderia: depende. Lembrando que estou me lixando para a palavra, devidamente sufixada pelo fatídico ismo. Vamos ver se consigo me fazer entender (nos últimos tempos isso anda bem difícil - talvez por um problema só meu, em decorrência da minha fase da PVC, rs).

Um grande médico e filósofo, Georges Canguilhem, disse o seguinte: “Saúde não é a ausência da doença. Ter saúde é poder se dar ao luxo de ficar doente! Ambas, a saúde e a doença, situam-se no campo da normalidade, pois não há vida sem norma”. Traduzindo (rs): todo ser vivo, enquanto em interação entre os componentes/sistemas externos que o cercam (ambiente, família, escola, emprego, etc.) e os internos (físico, psíquico, emocional, etc.) está constantemente “produzindo normas”, ou seja, reagindo, se adaptando, encontrando atalhos, se reconstruindo, etc. E nesse processo, que é exatamente a vida, ele se confrontará, necessariamente, com momentos de instabilidade, de desregulação... de diminuição da tal produção de normas. E isso é algo absolutamente normal, pois faz parte do jogo que chamamos vida.

Um exemplo (citado pelo próprio Canguilhem) para ilustrar: você toma algo gelado, uma bebida, um sorvete e, eventualmente, fica com a garganta inflamada. Após um ou dois dias, os sintomas desaparecem e você se sente curado. Isso tem um significado: você é uma pessoa com saúde, pois foi capaz de, em confronto com uma instabilidade (a inflamação), criar meios (normas), que o fizeram enfrentar e solucionar esse problema. Indo um pouco além: você é normal (normativo), dado que você podia enfrentar a instabilidade/doença, antes mesmo de ter se visto em confronto com essa situação.

Por outro lado, se você é o tipo de pessoa que não pode, de forma alguma, tomar algo gelado ou fazer qualquer outra coisa do gênero, fora de um “padrão muito rígido de comportamento” (pois isso acarretaria, certamente, no confronto de alguma instabilidade de difícil solução), então você é doente, independente e anterior a qualquer coisa/fato localizado fora do seu rígido padrão (no exemplo, o tomar algo gelado). Dá pra entender? É mais ou menos isso o que se quer expressar com o famoso jargão: o que importa é o doente e não a doença. Canguilhem reforçaria: não existe uma “entidade” chamada doença; quem produz a doença é o doente, esse ser restrito em sua capacidade de produzir novas normas de vida.

Voltemos ao álcool (o do texto, não o “real”, pois eu sou um bom exemplo de incapacidade em criar normas frente ao dito cujo, rs): só é alcoólico (o povo de AA não gosta da palavrinha “alcoólatra”... idiossincrasias, quem não as tem!) aquele que tem a constituição, a predisposição a sê-lo. Em tom de piada poderíamos dizer que só é alcoólico quem pode, não quem quer. Idem para a cirrose hepática (no que já está comprovado por vários estudos recentes): não é o álcool que provoca a cirrose, mas o inverso. Não é muito fácil de explicar isso e nem é meu objetivo, mas, tá dando pra entender a minha intenção em tocar nesses pontos?

Pra fechar o assunto: ser homossexual é patológico? Dá pra prever o que eu penso, por tudo o que expus acima?

PS: Esse post é quase um adendo ao anterior (rs).




quarta-feira, 22 de julho de 2015

Os 12 Passos do HA

“Muitos de nós, no início, acreditávamos que aqueles pensamentos/ações não passavam de certa curiosidade... Muitos começaram a trilhar esse caminho quando ainda eram bem crianças. Seja qual tenha sido o nosso meio de contato com essa situação, em pouco tempo descobrimos que havia algo mais do que mera curiosidade. Havia algo diferente em nós que, ao mesmo tempo em que nos dava estímulo a exercitarmos sentimentos de prazer inesperados, também deixavam nosso espírito como que em um estado muito doloroso... E, com o passar do tempo, também percebemos que não era questão de escolha. Na verdade a dor (que em essência era prazer) vinha justamente de sentirmos não ter liberdade de escolha.”

Esse é (com pequenas adaptações) o prólogo dos textos, conhecidos genericamente como Manual dos 12 Passos, que servem de base a essa tradicional concepção terapêutica para vários tipos de adicções (álcool, drogas em geral, neuroses, etc.). Lembrei-me disso hoje, acompanhando os textos que o José Antonio vem publicando em seu blog, de um livro que trata do tema da homossexualidade.

Curiosamente (ou não?) o primeiro passo para a “cura” (e que, no que diz respeito ao “ser homossexual”, não quer dizer, obviamente, tornar-se hétero!) dessa situação de tensão e sofrimento em sentir-se “diferente do esperado”, consiste na honestidade em admitirmos que somos incapazes de “superar” essa condição, pois simplesmente não há o que superar! Somos homossexuais e ponto! Ao conseguirmos admitir isso, com toda a clareza, com toda a singeleza que o ato exige (o que não quer dizer que seja fácil), acabamos por dar o nosso 1º passo...

Er... será que ando viajando demais na maionese? (rs) Vou analisar se os outros passos se encaixam nessa “viagem”.




domingo, 19 de julho de 2015

Pra Não Dizer Que Eu Não Sonho

Esse povo que vive sonhando e, pior, lembra de tudo quando acorda... eu rarissimamente lembro de alguma coisa! No máximo, pequenas cenas, totalmente embaralhadas e sem sentido. Pois então, pela segunda vez ontem sonhei com o Damien Dempsey e, melhor (rs), lembro de tudo!

Acho que nos sonhos não existe diferença de língua, tanto é que não deu pra saber se o sonho era em português, ou naquele inglês/irlandês maravilhooooso que ele fala! Só sei que nos entendemos perfeitamente... mesmo contra todos os meus “padrões usuais”, se é que entendem! (rs)

E, pra dar uma pálida ideia do meu nível de gostar desse “homem tudo-de-bom”, se tivesse um show dele, no mesmo horário de outro, onde estaria toda a judeuzada que eu adoro, eu não pensaria nem um segundo: será que é muito caro lugar na primeira fileira?


quinta-feira, 16 de julho de 2015

Velho Com Jeito de Novo... Novo Com Jeito de Chato

São dois novos álbuns, de duas bandas com estilos bem particulares. Vou tentar uma análise (lembrando que não sou crítico musical, rs) para “explicar” porque gostei de um e não do outro.



. O sexto álbum do Iron and Wine (Sing Into My Mouth) que, dois anos após o belo Ghost On Ghost, pode ser resumido em uma palavra: DISPENSÁVEL! Tem coisas que não consigo entender... uma delas é quando um artista não percebe que seu novo trabalho é um repeteco (no caso em questão é, além disso, cansativo e arrastado ao extremo!) de tudo o que ele já fez anteriormente, sem ao menos agregar novas leituras. E mesmo que todas as músicas sejam inéditas, nada chama a atenção, nada se destaca, nada empolga, dentre as doze músicas do álbum. Pra quem confia no meu gosto (rs), não perca seu tempo! Baixei e já deletei.




. Longitude, do The Frames (Glen Hansard)... aqui a história é oposta. Depois de quase cinco anos sem lançar novos álbuns, podemos dizer que essa banda irlandesa (que está comemorando seu 25º aniversário) nos apresenta apenas releituras de seus grandes sucessos, mas que soam como músicas novas. É uma coleção de hits (além da única inédita Not But I, belíssima!) que eu consegui ouvir e sentir me surpreendendo. Dá pra entender, ou acabei me enrolando na explicação?

Uma de minhas preferidas do The Frames, na versão folk/eletrônica/tribal (rs), que confere muito mais força à belíssima letra, especialmente ao seu refrão-chiclete...


terça-feira, 14 de julho de 2015

Gungor



“Gungor is a genre blurring, musical collective based in Los Angeles, CA. Led by Michael and Lisa Gungor, the collective crafts music intended to defy categorization and open the human heart.”

Apesar de ser um tiquinho indie/cristão (rs) é muito bom!







segunda-feira, 13 de julho de 2015

Green River Ordinance



Voltando à nossa programação normal (rs), hoje vamos com essa banda folk (com pitadas de rock alternativo) texana. Apesar de já atuarem desde 2003, foi em 2009 que conseguiram lançar seu primeiro álbum.

Sonoridade bem simples, letras redondinhas... o nome da banda, pra variar, um pouco estranho. Pesquisei, entendi do que se trata (uma lei municipal - bem controversa, por sinal - da cidade de Green River, que proíbe a venda porta-a-porta sem o expresso consentimento dos moradores), só não “captei”  a motivação dos carinhas ao escolherem esse nome para a banda.

Enfim, eles fazem o tipo de música gostosa de ouvir, sem grandes encucações...


domingo, 12 de julho de 2015

Quem Avisa Amigo É!



Como sou uma pessoa extremamente educada, de comportamento afável, sensível, compreensivo, enfim, praticamente um ser iluminado (rs), acredito ser extremamente polido avisar: de hoje em diante, todo aquele que ouse juntar, na minha presença, duas singelas palavrinhas, quais sejam, SE + PERMITIR, terá seu lindo nominho escrito, em letra de forma (para melhor entendimento da baixa espiritualidade), em papeizinhos já devidamente separados aqui e adequadamente costurados na boca de um sapo (falta providenciar esse quesito!). Dá pra entender, ou preciso desenhar? (rs)

PS: Se as demoníacas palavras supracitadas vierem acompanhadas de “viver a vida plena e abundantemente”, ao sapo agregaremos um belíssimo ebó, todo trabalhado no vermelho e preto!








segunda-feira, 6 de julho de 2015

Lifetime

Como é de domínio público (rs) eu adoro esses filminhos de pedido de casamento! A maioria é até muito previsível. Alguns, no entanto, ficam uma delícia! Esse é um bom exemplo. O carinha é bailarino. Então, o namorado (que não sabia dançar) resolveu preparar uma surpresa... e, pra matar a pau, acabar com o pequi de Goiás e congêneres, escolheu Lifetime, do Steve Moakler, como trilha sonora. Não existe música com uma letra mais linda e apropriada que esta para uma declaração de amor!

E ainda tem gente que não acredita em príncipe encantado! (rs)


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Desejo e Felicidade

 "Na medida em que desejamos o que nos falta, é impossível sermos felizes. Por quê? Porque o desejo é falta, e porque a falta é um sofrimento. Como você pode querer ser feliz se lhe falta, precisamente, aquilo que você deseja? No fundo, o que é ser feliz?

Evoquei a resposta que encontramos em Platão e Kant: ser feliz é ter o que se deseja. Não necessariamente tudo o que se deseja, porque nesse caso é fácil compreender que nunca seríamos felizes e que a felicidade, como diz Kant, seria um ideal não da razão, mas da imaginação. Ser feliz não é ter tudo o que se deseja, mas pelo menos uma boa parte, talvez a maior parte do que se deseja.

Mas, se o desejo é falta, só desejamos, por definição, o que não temos. Ora, se só desejamos o que não temos, nunca temos o que desejamos... logo, nunca somos felizes! Não que o desejo nunca seja satisfeito, a vida não é tão difícil assim. Mas é que, assim que um desejo é satisfeito, já não falta... logo, já não há desejo!

Assim que um desejo é satisfeito, ele se abole como desejo. "O prazer", escreverá Sartre, "é a morte e o fracasso do desejo". E longe de ter o que desejamos, temos então o que desejávamos e já não desejamos mais."

(André Comte-Sponville, “A Felicidade, Desesperadamente”)

PS: Pequena observação a Sense8, essa maravilha de série! Quero apenas ressaltar (não vi menção a isso nos vários comentários que li) a beleza e a “pontaria” absolutamente certeira na escolha da trilha musical. Um deslumbre, aliado a um extremo bom gosto! Destaque especial à belíssima interpretação de “Knocking on Heaven's Door”. Eu, que já gostava da versão original com Bob Dylan, amei de paixão essa interpretação ímpar do Antony & The Johnsons!


terça-feira, 30 de junho de 2015

O Encrenqueiro do Aquém-Túmulo

Palestra sobre o crescimento do espiritismo no mundo. Primeiro slide da apresentação: um gráfico, com uma curva ligeiramente ascendente. Com orgulho, o palestrante anuncia que (com muito esforço) compilou dados oficiais dos últimos 100 anos, que demonstram o lento, mas constante, crescimento do número de pessoas que se declaram espíritas no mundo.

No fundo da sala, inquieto (e pentelho, rs) como sempre, alguém pede a palavra. “Por acaso você já tentou colocar os dados em números relativos? Dados em valores absolutos pouco informam, na verdade... “

Silêncio geral. O coordenador das palestras, que conhece a sobejo o dito sujeito, também se inquieta. Como assim?, pergunta o palestrante. “Simples: basta dividir o total do número dos que se declararam espíritas, pelo total da população mundial, ano a ano... se você quiser, me passa os dados, que eu me comprometo a revisar o gráfico, para melhorar as futuras apresentações...”

Bem provável que, ou ele não entendeu... ou revisou ele mesmo o gráfico e não gostou do resultado... ou ainda, vendo o resultado, resolveu cancelar esse tema do calendário das próximas palestras. Jamais saberemos!

Gente chaaaata, que gosta de questionar! (rs)


domingo, 28 de junho de 2015

Eu Vivo À Vista

"Vivemos a crédito: nenhuma geração passada foi tão endividada quanto a nossa - individual e coletivamente (a tarefa dos orçamentos públicos era o equilíbrio entre receita e despesa; hoje em dia, os "bons orçamentos" são os que mantêm o excesso de despesas em relação a receitas no nível anterior).

Viver a crédito tem seus prazeres utilitários: por que retardar a satisfação? Por que esperar se você pode saborear as alegrias futuras aqui e agora? Reconhecidamente, o futuro está fora do nosso controle. Mas o cartão de crédito, magicamente, traz esse futuro irritantemente evasivo direto para você, que pode consumir o futuro, por assim dizer, por antecipação - enquanto ainda resta algo para ser consumido...

Parece ser essa a atração latente da vida a crédito, cujo benefício manifesto, a se acreditar nos comerciais, é puramente utilitário: proporcionar prazer. Os meios são as mensagens. Cartões de crédito também são mensagens. Se as cadernetas de poupança implicam a certeza do futuro, um futuro incerto exige cartões de crédito."

(Zygmunt Bauman “Medo Líquido”)


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Nerd? Geek? Dork?

“Os nerds, ou geeks, tinham o costume de se esconderem por causa da conotação negativa dessas denominações. Atualmente, eles já não são vistos como integrantes do “lado babaca da força”, passando a assumir e orgulhar-se de seus hobbies. Antônio Felipe Cechi Neto, gerente de projetos em Tecnologia da Informação, considera-se um nerd, embora ache que a popularização do termo distorce a definição tradicional, com que mais se identifica... Entende-se que a palavra em questão teve seu primeiro registro como sinônimo de imbecil. Hoje em dia, usa-se para definir pessoas que são obcecadas por tecnologias como games, computadores e dispositivos eletrônicos portáteis”.

(Revista “Toque da Ciência”)

Do fundo do baú, musiquinha pra relaxar... rs


terça-feira, 23 de junho de 2015

Falsa Genialidade



Numa daquelas conversas (chatas paracaráleo! rs) em família, meu cunhadinho me vem com essa: “as crianças de hoje são mais inteligentes, mais geniais, do que as de antigamente... minha netinha, de 5 anos, já sabe mexer no tablet!” Ao que respondi: pois é, a mesma genialidade daquelas sondas-robô que descem em Marte e em pouco tempo já começam a “analisar” o solo, o clima... (rs). Acho que ele não entendeu!

Ao que consta, celulares, tablets, laptops, etc. são fabricados não para serem utilizados por uma elite intelectual, mas por todo mundo, desde as mentes mais esclarecidas e sutis do planeta até as camadas semianalfabetas da população. Além do que, dado o apelo lúdico das teclinhas, ícones, cores, não me espanta que chame a atenção das crianças. A sensação de inteligência triunfante advinda da destreza com que se “mexe” nessas engenhocas segue apenas a lógica (deveras previsível) de se trilhar caminhos pré-estabelecidos, sem a mínima exigência de algum senso crítico. Exatamente como faz o robô, que desce em Marte,  percorrendo sua superfície e fazendo suas “descobertas” sem que um astronauta tenha que atravessar os riscos da aventura pelo território do imprevisível e desconhecido.

Ele nada mais faz do que seguir comandos, previstos num “manual de instruções”, guiado por ícones, que aparecem e desaparecem, na função de parâmetros e que o colocam no caminho certo. Não é exatamente o mesmo que fazemos ao “explorar” nossas engenhocas diletas? Na verdade o que fazemos é substituir a lógica do saber e conhecer por outra, executada pelo artefato, mas que nos passa a ilusão de que somos nós os “construtores geniais” dessa lógica!

Temo que essa ilusão da inteligência progressiva e sem limites (há quem diga que vivemos o tempo da transformação do Homo sapiens em Homo web), seja, efetivamente, a causa principal da produção (esta sim crescente) de novos seres cada vez menos capazes de pensar e criticar por sua conta e risco!

Estou falando muita besteira?

PS: Gênio fui eu que, aos 17 anos, terminando a disciplina de Introdução à Filosofia Moderna I, no 1º ano da FFLCH-USP, apresentei um trabalho sobre os conceitos de Tempo e Espaço em Kant e que, anos mais tarde, se transformaria no tema da minha tese de mestrado! Isso que é ser modesto, né! (rs)




segunda-feira, 22 de junho de 2015

Well Strung



Eles formam um quarteto de cordas, à primeira vista com jeitão de boy band. Apesar da carreira ainda bem no início (seu 1º show profissional aconteceu em 2012) podemos dizer que eles já alcançaram um relativo sucesso. Sua fórmula musical nem é muito novidade: a mistura de música erudita e pop. Daí poderíamos perguntar: o que chama tanto assim a atenção das pessoas sobre eles? Pra responder, basta dar uma olhada no vídeo abaixo, onde eles interpretam Kelly Clarkson ao som de Mozart  (rs).

Ah, ia esquecendo... eles são gays assumidos. Delícia!


sábado, 20 de junho de 2015

Lado B

Foi há muito tempo. Eu meio que era uma espécie de ídolo dele. Quando estávamos sozinhos na casa da minha avó (meus tios moravam com ela) eu agia como amigo dele. E me “aproveitava” da situação de ter essa ascendência sobre ele. Ele era gay. Delicado (não gosto da palavra afeminado!). E daí? A “questão” era que, se estávamos com mais pessoas, eu de certa forma me aliava com aqueles que gostavam de fazer piadinhas, zombarias com ele. Bacana isso, né...

Pra completar a canalhice, sempre foi muito nítido pra mim que ele pouco se importava com o que os outros faziam, ou diziam... o que mais doía era o que eu fazia! Eu sabia, eu percebia, até admito que houvesse uma espécie de arrependimento a posteriori, de minha parte. Mas, jamais cheguei a admitir isso pra ele. Quantas vezes, daquele jeito simples dele, eu fui perdoado?

Hoje encontrei uma foto, toda a galera e ele bem do meu lado. Se não me engano foi alguns meses antes dele morrer.


domingo, 14 de junho de 2015

Tom Rosenthal



De tudo o que eu já ouvi (e não é pouca coisa, rs), se me perguntassem qual o cantor/banda que melhor representa o conceito “indie”, acho que não teria muita dúvida em apontar esse compositor, cantor e multi-instrumentalista inglês, Tom Rosenthal. Ele navega pelo folk, pelo rock, pelo experimentalismo, pelo pop (há quem diga que ele faz o gênero câmara/pop, rs), e que, certamente, jamais pertencerá ao “mainstream”! Sua música é uma grande mistura de tudo, essa a verdade, além de suas letras passearem, tranquilas, entre o lirismo, o sarcasmo e o humor irônico. Dá pra imaginar uma melancia ambulante tiritando pelos prados, no enlevo de uma sonoridade quase barroca? Ao mesmo tempo em que podemos ter apenas voz e piano? Essa é a vibe.

Uma coisa interessante (ao menos pra mim) é que ele adora aliar experimentos visuais, através de vídeos, à apresentação de suas canções. Seu canal no YT tem vídeos, alguns dirigidos por ele mesmo, que são lindíssimos! Outra característica é a duração das canções, que raramente vão além de 3 minutos! Desnecessário dizer que, a cada novo álbum (Bolu, lançado agora, é o seu 4º) a única certeza é que será totalmente diferente dos anteriores. Fora tudo isso, ele adora brincar com o timbre de sua voz, algumas vezes apenas acompanhada de piano, outras com todo um instrumental típico da música folk. Resumo: é bem difícil descrever seu estilo musical através de palavras.

Alguém se arrisca? (rs)






domingo, 7 de junho de 2015

Zelota



“Não pense que eu vim trazer paz sobre a terra. Eu não vim trazer paz, mas a espada.”
(Mateus 10:34)

Eu ensaiava ler esse livro do historiador de descendência iraniana, radicado nos USA, Reza Aslan (lançado em 2013), há um bom tempo. Como costumo fazer com toda obra geradora de polêmicas, antes de ler o próprio livro cuidei de ler as muitas críticas e comentários, tanto as favoráveis, quanto as negativas. É um bom exercício, ao menos pra mim, pois ao ler a obra me sinto mais confortável (e abastecido) para melhor observar todos os pontos discutidos. Ontem, finalmente, me dispus a ler... há muito tempo que não “devoro” um livro de uma tacada só! Simplesmente não deu pra parar, antes de chegar ao final!

O tema central de sua pesquisa (foram anos de muito estudo comparativo de textos antigos, que abordassem todo o contexto histórico da época) nem é muito novo. Desde o século XIX muitos historiadores se debruçam à procura do Jesus histórico, o Nazareno e não o Cristo. Nas palavras de Aslan: “Este livro é uma tentativa de recuperar, tanto quanto possível, o Jesus da história, o Jesus antes do cristianismo (grifo meu): o revolucionário judeu politicamente consciente que, há 2 mil anos, atravessou o campo galileu reunindo seguidores para um movimento messiânico com o objetivo de estabelecer o Reino de Deus, mas cuja missão fracassou quando – depois de uma entrada provocadora em Jerusalém e um audacioso ataque ao Templo – ele foi preso e executado por Roma pelo crime de sedição. É também sobre como, após Jesus ter fracassado em estabelecer o Reino de Deus na terra, seus seguidores reinterpretaram não só a missão e a identidade de Jesus, mas também a própria natureza e definição do messias judeu.”

Óbvio que o livro não pretende conter “a verdade”, mesmo porque em ciência a verdade é sempre contingencial. Como historiador que faz ciência Aslan procurar “separar”, nas narrativas encontradas, o que é improvável (dado o nível de conhecimento atual) do que é impossível. E são muitos os casos de impossibilidades! Um bom exemplo é todo o processo de julgamento e condenação de Jesus. Ou mesmo o “massacre dos inocentes”, ao tempo do nascimento de Jesus, no reinado de Herodes, fato que simplesmente não tem o menor registro em toda a vasta documentação pesquisada.

Além disso, num trabalho minucioso de reconstituição de época, encontramos em seu livro uma descrição meticulosa da história e da geografia, o que ajuda em muito a reconstituir todo o universo em torno do Jesus histórico, um homem que desafiou a autoridade de Roma e a alta hierarquia religiosa judaica; um homem pleno de convicções, paixões e contradições, um revolucionário vindo das classes menos favorecidos. E de tentar entender as razões pela qual a Igreja Católica (a primeira organização do cristianismo em formato eclesiástico) optou por promover a imagem de Jesus como um mestre espiritual pacífico em detrimento do revolucionário.

Para quem se interessa por história, é um deleite.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Folly And The Hunter



Estava escrevendo um post sobre a banda The Dear Hunter, uma de minhas queridinhas... sonoridade complicadíssima, elaboradíssima e outros íssimas mais, quando resolvi entrar no meu fórum de música indie. Fazia um tempinho que não entrava; já me apresentaram ótimas bandas por lá, principalmente o meu amiguinho (o Jamesvaldo... que nome! rs), que estava on line. Tão simpático, tão amável, é uma delícia papear com ele!

Depois de um tempinho, ele me diz que descobriu uma banda que é “a minha cara”. Não duvidei muito, afinal suas últimas indicações foram “na mosca”. Como nunca havia perguntado, indaguei como ele sabia que eu iria gostar tanto assim. Ele lascou um “é que você tem o mesmo gosto que eu; aliás, pelos nossos papos, pensamos de forma muito semelhante e temos várias coisas em comum... até parece que nos conhecemos há muito tempo...”. Gente, tem como não amar?! Melhor deixar só no âmbito musical isso. O cara é casado, não dá pra arriscar nada de mais, digamos, contundente! Deixo essas coisas para um certo amigo, que vem se especializando em paquerar homem casado. (rsrsrs)

Folly And The Hunter (que coisa! é Hunter também, mas praticamente o oposto em termos musicais!), banda canadense indie/folk, formada em 2011. Sabe aquele folk delicioso? Suave, ritmo que contagia, delicado, melodias simples, ao mesmo tempo sofisticadas, com texturas musicais bem definidas, além de vocais belíssimos! É um encanto! Já lançaram 3 álbuns (o último, Awake, mês passado), já devidamente “pescados” e sendo trilha sonora por aqui desde ontem. A dificuldade está sendo encontrar alguma música que eu não tenha gostado!

É, Jamesvaldo acertou novamente! Dois exemplos: Awake, do último álbum e As I Waited/Traffic, do primeiro.




segunda-feira, 25 de maio de 2015

Moddi



Pål Moddi Knutsen é um cantor, músico e compositor norueguês, cujo projeto musical faz um indie/folk dos mais fodásticos que conheço. Seria como um Nick Drake, porém muito mais sofisticado em matéria melódica e em qualidade de letra. Não é o tipo de música muito fácil de ouvir, menos ainda de arrastar multidões de fãs, mas que faz o deleite de quem gosta de coisas mais complexas, feito eu... (rs)

Diagnosticado com dislexia quando criança, apesar disso (ou talvez por isso) manifestou seus dons musicais logo cedo. Aos 9 anos já tocava acordeão e estudava música erudita. Aos 15 anos já participava de concertos com composições próprias. Em 2008, com 21 anos, lançou seu primeiro EP. Dois anos depois lançou seu primeiro álbum (o maravilhoso Floriography), sucesso de crítica em toda a Europa. Sua marca registrada, além da voz estranha (ele é todo estranho, na verdade) e rouca, consiste na riqueza melódica e na absurda qualidade das letras... o cara escreve bem demais!  

Nas horas vagas, o rapaz, um encrenqueiro de marca maior (rs), vive criando casos, como quando recusou um prêmio concedido pela Statoil, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, pois, segundo ele, a empresa não cumpria as metas de controle de emissão de poluentes. Ou quando, em 2014, cancelou shows com ingressos esgotados, em Israel, aderindo ao famoso boicote acadêmico e cultural imposto por artistas famosos, em prol da causa palestina. Fora a própria vida conturbada... sei não, acho que... (rs)

Pra quem quiser ter uma ideia da vibe do rapaz, uma canção daquelas!


sábado, 23 de maio de 2015

Irlanda – Quem Sabe Faz a Hora



Um país de maioria católica, onde há pouco mais de 20 anos ainda se criminalizava a homossexualidade, se torna o primeiro país do mundo a aprovar, por referendo popular, a legalização do casamento igualitário. É emocionante! Agora entendo a minha, desde sempre, simpatia por esse lugar.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Will Young



Após 4 anos afastado dos estúdios de gravação, Will Young, cantor, compositor e ator inglês, lança  o seu 7º álbum (85% Proof... não entendi esse nome). Pouco conhecido por aqui, iniciou sua carreira em 2002, quando foi o vencedor do programa de TV Pop Idol. Aliás, nesse mesmo ano, após o final do programa e, segundo ele, para não dar chance que a “imprensa marrom” se aproveitasse de boatos sobre sua sexualidade, em entrevista ele revelou sua orientação homossexual. Simples, direto e objetivo.

Seu estilo é o pop/romântico, em geral com tonalidades melancólicas, mas não depressivas (rs), por vezes lembrando Elton John, com quem (esses tabloides!) teria tido um affair. Há quem diga que o grande “causo” da vida dele foi Gareth Gates, segundo colocado na mesma edição em que Will concorreu. Dizem também que o Sam Smith... eita povo fofoqueiro! De qualquer forma, oficialmente, o lindinho (ele tá bem melhor hoje que em 2002) continua solteiro.

Para curtir dor de cotovelo, relações mal sucedidas e congêneres, de preferência em noites chuvosas, suas canções compõe a trilha sonora ideal. Testado e aprovado! (rs)


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Lifehouse

Tem coisas que não dá pra explicar. Em algum lugar, sei lá onde, tem um adolescente (só pode!) que, virou/mexeu, vem com tudo! A Seara é muito mamão com açúcar... acho que preciso é de um bom batuque na encruza!


PS: Coisas do astral... ontem ouvindo Lifehouse e hoje “encontro” o seu novo álbum, previsto para ser lançado no final de maio. Sintonia, né! Foi abrir meu email, que o “povo do mar do Caribe” já havia, gentilmente, me mandado o link. Se estiver bom, depois comento...



segunda-feira, 18 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Ma Im Nitnashek

Esse povo da terrinha, que coisa!... abraçar, beijar, afastar, falhar, tudo com uma pronuncia super parecida! Mó trabalho (rs), mas valeu a pena!

Nova música do Natan Goshen, o lindinho mais passional, mais caliente, mais tudo, cuja pegada lembra demais a música ibérica, um rasgar desesperado de emoções! E as marocas de kipá garantem que ele... olha, começo a acreditar! (rs) Especial atenção ao moçoilo que o acompanha... já esgotei minhas fontes de pesquisa e não consegui descobrir quem é. Coisa mais linda!


segunda-feira, 11 de maio de 2015

The Barr Brothers Com Café



Banda indie/folk canadense... vibe melancolicamente suave, ótima para uma segundona cinza, garoenta e que é toda convidativa para um bom café e conversas soltas com amigos. Na falta do segundo quesito, vamos de café na padoca da esquina apenas.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Aereogramme



Hoje bateu uma saudade dessa banda escocesa de rock (indie/progressivo/experimental, rs). Formada em 1998 e tendo lançado seu primeiro álbum (A Story in White) só em 2001, eles tiveram uma carreira bem agitada, principalmente por desavenças entre os seus integrantes (a maioria sobre suas concepções musicais, se mais experimental, se menos), fora os “tradicionais” problemas ligados a bebidas, drogas. Em 2007, após o lançamento do seu 4º álbum (My Heart Has a Wish That You Would Not Go… um primor, diga-se de passagem), foi anunciada a dissolução da banda.

Eles têm uma sonoridade ideal pra se ouvir com headphone (rs), pela mistura de texturas musicais contidas em suas canções, muitas bem discretas, mas com rara beleza. Pra quem se interessar em conhecer, recomento o “My Heart...” (é o menos experimental), um álbum primoroso, que carrega também uma vertente pop em suas belas melodias, vocais e letras emocionais, realçadas por arranjos de cordas muito bem feitos.


sábado, 2 de maio de 2015

Alcatraz

“O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o sol e medido os passos da lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?”

(Oscar Wilde – “De Profundis”)

Quanto de ilusão, quanto de verdade, quanto de consistente esboçamos nesse rascunho inacabado de nós mesmos? Por nossas latências buscamos cumprir no mundo todos os ideais dos nossos sonhos. Quanto de confusas, desmemoriadas, são nossas lembranças? Isso foi, existiu, ou não passou de um despertar fortuito na madrugada, o latido do cão que o provocou?

Entre o amargo, o doce e o ácido, nada há que nos defina, nem que nos permita definir-nos. De onde viemos, pra onde vamos? Importa? Seguimos dançando, com passos desengonçados, entre um ponto que já foi e outro que será. Será?

(Hey Rosetta – isso é nome de banda? rs – Alcatraz... música forte. Poesia do âmago!)


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Wilder Mind



Mais eletrônico, mais pop, mais rock, sem deixar de ser folk (tá certo, senti falta do banjo, rs), acho que essas são as características básicas do novo álbum do Mumford & Sons, vazado hoje nos mares caribenhos. Em algumas músicas até lembrou um tiquinho U2, mas, no geral, temos um trabalho muito bem feito, coerente, com a mesma propensão a grandes espetáculos. Continua valendo a pena ouvir!


domingo, 26 de abril de 2015

Achshav Karov

De longe, Idan Raichel é o cantor da terrinha que mais aparece por aqui. Motivo: é o poeta que mais entende dos sentimentos, dos amores, das esperanças, das suavidades. Ainda não encontrei alguma música dele que eu pudesse não gostar. E, pelo sucesso que ele faz por lá, não devo ser o único que pensa assim. Ele consegue, apesar de grande parte de suas músicas ser intimista, realizar mega apresentações em espaços abertos, como nesse vídeo. Muito lindo...


domingo, 19 de abril de 2015

Será Que Mahler Curtiria?

Então... eu já vi/ouvi o Adagietto da Sinfonia nº 5 do Mahler (belíssima, por sinal!) servindo de música de fundo para várias cenas de filmes (o mais célebre, Morte em Veneza) e inclusive de algumas novelas. Entretanto (rs), como nesse curta (se é que podemos classificar assim), tipo “lutinha”, é a primeira vez!

A música continua bonita... até que não só a música, né...


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Waking Up

Esse curta (pena que muito curto) lá da terrinha é muito lindinho e fofo! Aliás, como os atores (eu prefiro o bearzinho, rs) e, porque não dizer, como tudo que azamigas de kipá fazem, né... sempre com alguma mensagem... gente linda!

E você, Paulo, nunca teve um sonho desses? rs


terça-feira, 14 de abril de 2015

Nous Sommes Du Soleil

Você veio com o dia
E se foi pela tarde;
A noite, restou vazia.



“Ritual” é uma das muitas sinfonia/rock do YES, com várias partes, alternando entre o suave, o agressivo, o amedrontador. Eu sempre amei esse último movimento que, de certa forma, consegue responder a uma indagação que me foi feita há muito, muito tempo atrás... nous nous étions du soleil.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

Humano, Demasiado Vazio

“Quando me ponho às vezes a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e trabalhos a que eles se expõem, na corte, na guerra, donde nascem tantas querelas, paixões, cometimentos ousados e muitas vezes nocivos, etc., descubro que toda a miséria dos homens vem duma só coisa, que é não saberem permanecer em repouso, num quarto. Um homem que tenha o bastante para viver, se fosse capaz de ficar em sua casa com prazer não sairia para ir viajar por mar ou por cerco a uma praça-forte. Ninguém compraria tão caro um posto no exército se não achasse insuportável deixar-se estar quieto na cidade; e quem procura a convivência e a diversão dos jogos é porque é incapaz de ficar, em casa, com prazer.

Mas quando pensei melhor, e que, depois de ter encontrado a causa de todos os nossos males, quis descobrir a razão desta, achei que há uma bem efetiva, que consiste na natural infelicidade da nossa condição frágil e mortal, e tão miserável que nada nos pode consolar quando nela pensamos a fundo.”

(Blaise Pascal, in "Pensamentos")

O título do post é uma referência a um dos livros (Humano, Demasiado Humano) mais importantes de Nietzsche e que, de certa forma, agudiza o pensamento de Pascal. Quem sabe essa aproximação temática não deva ser digna de um estudo mais pormenorizado! Em linhas gerais, ambos tratam do vazio, inerente ao estatuto do homem, esse ser sem origem, posto que seu nascimento lhe é inacessível e cuja morte é a única certeza anunciada. Em  Nietzsche a “solução” para o vazio está no superar-se o próprio destino, tomando-o nas mãos, mesmo com a consciência do seu final. Em Pascal, bem mais pessimista, o homem, que não é senão a dobra daquilo que lhe é exterior, deve se organizar pelo “eu” (... essa ficção inventada pela esperança de se sentir minimamente organizado... essa parte é minha mesmo, rs) diante desse mundo exterior. Dureza, demasiada dureza!

O tema é o mesmo, tratado magnificamente nessa música do Eviatar Banai. Nada como o poder sintetizador da poesia...


domingo, 29 de março de 2015

Novo Amor



Parece um filhote do Justin Vernon. Porém, em minha singela opinião, mais contido (rs), sem tantas distorções vocais e sem exagero nos sintetizadores. Trata-se do projeto musical do galês Ali Lacey (seríssimo candidato a príncipe, todo lindo... voz, sensibilidade nas letras e ele “em si”, rs) batizado com o distinto nome de Novo Amor.

Com apenas dois EP’s lançados, já teve uma de suas músicas (From Gold) remixada por vários DJ’s, sendo um dos grandes sucessos da noite londrina. Apesar da modesta bagagem musical (são 9 músicas dos EP’s), é uma grande promessa!


terça-feira, 24 de março de 2015

Ty Herndon



Ele já se envolveu com drogas, problemas com a polícia, divórcios conturbados (foi casado 2 vezes) e sempre foi uma referência no mundo machista da música country. De família cristã conservadora, teve uma infância repressora, típica do Alabama, e desde cedo já demonstrava seus pendores para a música (tocava piano e cantava música gospel desde a adolescência).



Então, no final do passado, aos 52 anos de idade, o moçoilo resolveu que a hora da verdade havia chegado e, durante uma entrevista para o programa de TV Entertainment Tonight, saiu do armário. Com mala, cuia e casamento marcado... mesmo porque já vive com o carinha (Matt Collum) há mais de 5 anos... e, cá entre nós, ele tem bom gosto, né! (rs)


sexta-feira, 20 de março de 2015

Príncipe Que Se Preza Ama A Mãe

Do novo álbum (Este Amor Que É Nosso) desse príncipe hebreu, coisa mais fofa do mundo! (rs), encontrei esse vídeo, onde Ivri canta uma das músicas do álbum, escrita em homenagem à sua mãe. Adivinhem quem estava na plateia? A própria... emoção transbordando!

Pelo pouco que li em sua biografia (Ivri é meio reservado para esse tipo de assunto), parece que a mãe não teve uma vida muito fácil (perdeu muitas pessoas da família em guerras). E, se entendi bem, perdeu o marido também, enfim, o encontro dos dois num show recente ficou bacana demais! Um relacionamento de amor e carinho lindo, lindo...

PS: Ou muito me engano, ou esse padrasto é coadjuvante nessa relação mãe/filho, ein...


quarta-feira, 18 de março de 2015

Vazio x Rejeição

Eu conheço o carinha há mais de ano. Ele deve ter uns 50tinha... solteiro. Preciso dizer mais alguma coisa? (rs) Embora nunca tivéssemos conversado mais consistentemente, ele me parecia ser alguém inteligente, ponderado; fisicamente, bem, até que interessante! Um tiquinho gordo, mas, para certas partes da anatomia isso até é vantajoso. Pelo menos pro meu gosto! (rs). Não poderia classificá-lo como amigo, no máximo conhecido, dá pra entender, né.

De uns tempos pra cá ele passou a me convidar (até com certa insistência) para um café, em que poderíamos “nos conhecer melhor”. Pra cima de “moi”, puta véia! Sei o que ele queria conhecer melhor! Enfim, sábado passado (até agora não entendi, talvez por uma agudização da minha crise de secura, nível Cantareira, entende?!) aceitei. Tudo pela pátria!

Analisemos: ele me convidou para ir ao Shopping Santa Cruz, na Vila Mariana... curiosamente ele mora por ali. Onde eu sei (ele não sabe que a ZS é minha “área”... conheço tudo! rs) que não tem uma cafeteria decente. Aliás, aquele shopping só tem molecada fazendo zueira, é uma porcaria! E pra coroar, chovia demais! Mas, como não sou de “furar”, lá fui eu.

Resumindo: ficamos numa loja da Kopenhagen exatos 20 minutos e que foram suficientes para que eu soubesse que tenho nada a ver com ele, com o modo de pensar, de ser, etc. Cara preconceituoso, politicamente obtuso, conversa chata elevada à enésima potência! Sobrava o que? Uma bunda? Sinceramente...

Aí vem o diálogo fatídico: você tem alguma coisa pra fazer agora? ele perguntou. Não. Quer conhecer meu ap? Não. Acho que ele ficou alguns segundos naquele estado, entre a letargia e a não compreensão dos 2 nãos na sequência. Ah, então você já tem algum programa? ele insistiu, como quem procura uma explicação razoável pelas minhas negativas monossilábicas. Não... era o terceiro! Achei por bem explicar, não lembro ipsis litteris, mas foi algo como: não vejo motivo algum, ou justificativa para que eu vá conhecer seu ap. Simples assim! Não somos amigos, não temos nenhuma afinidade, temos ideias diametralmente opostas sobre coisas importantes da vida, enfim, acho que valeu pelo café. Não sei se ele entendeu bem. É complicado querer um doce, planejar ter o doce, as expectativas se encaminharem, aparentemente, em direção ao doce e, no final...

Voltando pra casa, pensando sobre outras épocas, em que “topei paradas” infinitamente piores, situações que, se eu contasse, até Deus duvidaria (rs), foquei na sensação de vazio que, invariavelmente, se seguia após esse tipo de transa casual. Um vazio existencial absurdamente dolorido e que eu cansei de sentir. E que, sábado, eu senti com clareza antes mesmo do “fato em si”. Mas, também senti compaixão, pois uma das piores coisas da vida é se sentir rejeitado. Já me senti assim algumas vezes. É difícil, a autoestima vai pro rés-do-chão! Ele deve ter sentido algo nessa linha. Definitivamente não me orgulho do que fiz...
  

sexta-feira, 13 de março de 2015

Seryn



Seryn é uma banda indie/folk, formada em 2010, originária de Denton (Texas) e atualmente fixada em Nashvile. Descobri ontem, meio por acaso e me encantei com suas texturas musicais – uma mistura de guitarras, sanfona, baixo, violino, banjo e vários instrumentos de percussão. Além dos belíssimos arranjos vocais e das letras, que, pra mim, soam como trilhas sonoras de histórias de amor, dramas, tragédias, mas sempre com um frescor que parece vir da natureza. Vale a pena...


terça-feira, 10 de março de 2015

A Desculpa É Um Ato Individual Da Razão

Comecemos pela famigerada “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, a meu ver, a maior balela da história universal das balelas! Que, não contente em responsabilizar a pessoa errada, ainda quer garantir o status de eternidade a um conceito que só poderia ter sido produzido pelo lado fraco da equação. Vejamos: existe o sujeito A, que podemos chamar de “cativador”, e o sujeito B, o “cativado”. Ao que eu saiba, não existe “cativamento” (rs) compulsório. Logo, o ato de ser cativado é um exercício da vontade de um indivíduo - o que “se deixa” cativar; ato este que pode se fundamentar na realidade, ou nas expectativas. Via de regra a realidade costuma ser supervalorizada pelas expectativas. Não tem aquela piada do sujeito que ganha um arreio de presente e fica ansioso à espera do cavalo? Tá certo, na piada o presente é uma lata de estrume... nesse caso nem se trata de expectativa, mas de idiotia pura, o que não é tema de discussão por aqui (rs).

Voltemos à questão: se o cativar é um ato de vontade, a quem cabe a responsabilidade por esse ato? Óbvio que ao “eu” da equação, o cativado! Não há coisa alguma a se imputar ao “outro”, o cativador, que não pode ser responsável pelas expectativas de ninguém, fora as dele mesmo. Indo um pouco além, podemos substituir a palavra “responsabilidade”, por outra que, aliás, costuma aparecer mais frequentemente nesse contexto, qual seja, a palavra “culpa”. Se no tal processo de cativamento, algo deu errado (por exemplo, ao invés do cavalo como um próximo presente, a intenção de quem deu o arreio era montar no “presenteado”... rs), de quem seria a culpa? E nem estou falando em tese... falo de mim mesmo, que cansei de ser cativado e ganhar arreios e...

Meu mantra atual é: não espere dos outros nada além do mínimo que se pode supor que ele possa/consiga dar! Isso significa que minha vigilância deve ser direcionada precipuamente às minhas expectativas, no sentido de que elas estejam absolutamente próximas e coincidentes com a (dureza, na maioria das vezes) realidade. Sem perder de vista que o único responsável por tudo, em especial pelos erros de avaliação, sou sempre eu!

E chegamos ao título do post (ficou uma reflexão meio desordenada, né). Dizem que, quando ficamos velhos, nos tornamos cínicos (não no sentido pejorativo da palavra, mas no daquela antiga escola filosófica), ou espiritualistas! Pois é, acho que o meu caso é mais de cinismo mesmo! Os meus amiguinhos cínicos sempre diziam que, quando pedimos desculpas a alguém, queremos de fato corresponsabilizar esse alguém por uma culpa que é apenas nossa. Se pedimos desculpas é porque reconhecemos, intimamente, que erramos. E esse erro se deu num exercício da nossa vontade, sendo, pois, de nossa inteira responsabilidade. O que implica em que só nós temos a capacidade de nos desculpar, quer seja mudando nossas atitudes e comportamentos, quer seja, por um processo puramente racional, tratando de esquecer. E procurando, ao máximo, nunca cair na armadilha do ressentimento. Desculpar não é signo de espiritualidade... é um ato da razão prática.




domingo, 8 de março de 2015

Active Child



E não é que Jamesvaldo tem bom gosto musical, além de me surpreender com belas dicas! Interessante que, sempre que ele descreve o estilo da banda, não me causa muita empolgação para ouvir. Com Active Child (o projeto musical de Pat Grossi) não foi diferente. Começa que a banda tem um pé no eletrônico... se bem que isso não seja falta tão grave! (rs) Mas aí vêm os outros atributos: dream, chillwave, avant-garde... pensei, não vou gostar!

Errei completamente! (Eu e meus preconceitos classificatórios.) O cuidado com os vocais, o uso de instrumentos mais clássicos (como harpa, por exemplo), ao lado de sintetizadores e outros típicos do folk, além de letras belíssimas, do Pat com sua voz angelical... enfim, adorei de paixão! Vale a pena conferir a discografia toda e que nem é tão extensa!

Duas músicas, pra dar ideia da vibe deles que, aliás, são maravilhosos ao vivo!






sábado, 28 de fevereiro de 2015

Death Cab For Cutie



Eles são pouco conhecidos por aqui e nem fazem tanto sucesso, mesmo nos USA, embora tenham uma boa legião de fãs. Eu sou um deles! (rs) Talvez porque suas músicas marcaram uma fase muito boa da minha vida (eles surgiram no final da década de 90), sendo, portanto, minhas companheiras nas noites (belas noites!) em que eu ainda era dono do meu próprio nariz. Que saudade daquela independência!

As letras de Ben Gibbard são, em geral, melancólicas, por vezes difíceis de entender (muitas metáforas, figuras de linguagem), falam sobre sofrimento, amor desesperançado, decepções, mas sempre com uma digna elegância (rs) de quem sofre, mas consegue racionalizar o sofrimento. Bem eu naquela época! A linha melódica é suave, tranquila, o que faz um belo contraste com o peso (não muito excessivo) das letras.

No final de março (para os mortais, né... rs) será lançado o seu 10º álbum: Kintsugi. Depois de 4 anos sem novidades (o belo Codes And Keys saiu em 2011), minha primeira impressão é que a maturidade trouxe mais leveza para as canções. Obviamente já está tocando direto por aqui.

Resolvi postar 3 vídeos (é muito amor!): No Room In Frame é do álbum atual; os outros dois (Passenger Seat e Marching Bands Of Manhattan) são de músicas que, até hoje, conseguem me emocionar uma enormidade! Essas lembranças...