Antropologia. Sem mais... rs
quarta-feira, 17 de junho de 2015
domingo, 14 de junho de 2015
Tom Rosenthal
De tudo o que eu já ouvi (e não é pouca coisa, rs), se me perguntassem qual o cantor/banda que melhor representa o conceito “indie”, acho que não teria muita dúvida em apontar esse compositor, cantor e multi-instrumentalista inglês, Tom Rosenthal. Ele navega pelo folk, pelo rock, pelo experimentalismo, pelo pop (há quem diga que ele faz o gênero câmara/pop, rs), e que, certamente, jamais pertencerá ao “mainstream”! Sua música é uma grande mistura de tudo, essa a verdade, além de suas letras passearem, tranquilas, entre o lirismo, o sarcasmo e o humor irônico. Dá pra imaginar uma melancia ambulante tiritando pelos prados, no enlevo de uma sonoridade quase barroca? Ao mesmo tempo em que podemos ter apenas voz e piano? Essa é a vibe.
Uma coisa interessante (ao menos pra mim) é que ele adora
aliar experimentos visuais, através de vídeos, à apresentação de suas canções.
Seu canal no YT tem vídeos, alguns dirigidos por ele mesmo, que são
lindíssimos! Outra característica é a duração das canções, que raramente vão
além de 3 minutos! Desnecessário dizer que, a cada novo álbum (Bolu, lançado
agora, é o seu 4º) a única certeza é que será totalmente diferente dos
anteriores. Fora tudo isso, ele adora brincar com o timbre de sua voz, algumas
vezes apenas acompanhada de piano, outras com todo um instrumental típico da
música folk. Resumo: é bem difícil descrever seu estilo musical através de
palavras.
Alguém se arrisca? (rs)
domingo, 7 de junho de 2015
Zelota
(Mateus 10:34)
Eu ensaiava ler esse livro do historiador de descendência
iraniana, radicado nos USA, Reza Aslan (lançado em 2013), há um bom tempo. Como
costumo fazer com toda obra geradora de polêmicas, antes de ler o próprio livro
cuidei de ler as muitas críticas e comentários, tanto as favoráveis, quanto as
negativas. É um bom exercício, ao menos pra mim, pois ao ler a obra me sinto
mais confortável (e abastecido) para melhor observar todos os pontos
discutidos. Ontem, finalmente, me dispus a ler... há muito tempo que não “devoro”
um livro de uma tacada só! Simplesmente não deu pra parar, antes de chegar ao
final!
O tema central de sua pesquisa (foram anos de muito estudo
comparativo de textos antigos, que abordassem todo o contexto histórico da
época) nem é muito novo. Desde o século XIX muitos historiadores se debruçam à
procura do Jesus histórico, o Nazareno e não o Cristo. Nas palavras de Aslan: “Este
livro é uma tentativa de recuperar, tanto quanto possível, o Jesus da história,
o Jesus antes do cristianismo
(grifo meu): o revolucionário judeu politicamente consciente que, há 2 mil
anos, atravessou o campo galileu reunindo seguidores para um movimento
messiânico com o objetivo de estabelecer o Reino de Deus, mas cuja missão
fracassou quando – depois de uma entrada provocadora em Jerusalém e um
audacioso ataque ao Templo – ele foi preso e executado por Roma pelo crime de
sedição. É também sobre como, após Jesus ter fracassado em estabelecer o Reino
de Deus na terra, seus seguidores reinterpretaram não só a missão e a identidade
de Jesus, mas também a própria natureza e definição do messias judeu.”
Óbvio que o livro não pretende conter “a verdade”, mesmo
porque em ciência a verdade é sempre contingencial. Como historiador que faz
ciência Aslan procurar “separar”, nas narrativas encontradas, o que é improvável
(dado o nível de conhecimento atual) do que é impossível. E são muitos os casos
de impossibilidades! Um bom exemplo é todo o processo de julgamento e
condenação de Jesus. Ou mesmo o “massacre dos inocentes”, ao tempo do
nascimento de Jesus, no reinado de Herodes, fato que simplesmente não tem o
menor registro em toda a vasta documentação pesquisada.
Além disso, num trabalho minucioso de reconstituição de
época, encontramos em seu livro uma descrição meticulosa da história e da
geografia, o que ajuda em muito a reconstituir todo o universo em torno do
Jesus histórico, um homem que desafiou a autoridade de Roma e a alta hierarquia
religiosa judaica; um homem pleno de convicções, paixões e contradições, um
revolucionário vindo das classes menos favorecidos. E de tentar entender as razões pela qual a Igreja Católica
(a primeira organização do cristianismo em formato eclesiástico) optou por
promover a imagem de Jesus como um mestre espiritual pacífico em detrimento do revolucionário.
Para quem se interessa por história, é um deleite.
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